Sem cérebro

Para fortalecer a opinião em favor do aborto de fetos anencéfalos vale tudo, até criticar…o aborto.

Mas é claro que para isso as palavras precisam ser escolhidas com cuidado, como faz o ministro da saúde, José Gomes Temporão, ao divulgar que SUS tem todas as condições de oferecer o acesso a exames que possibilitam a identificação pré-natal de casos de anencefalia. Assim, em lugar de dizer coisas como “retirada do bebê”, ele lança mão de eufemismos como “antecipação do parto” ao defender que as mulheres possam decidir se mantém ou não a criança em seu ventre nesse tipo de casos.

O ministro chega até, vejam só, admitir que o aborto afeta algo que tem vida! É claro que ele faz isso de forma enviesada, comentando o parecer das “entidades médicas ouvidas pelo STF na semana passada”, segundo as quais o procedimento em discussão é uma situação “totalmente distinta” do aborto, porque lida com uma situação em que a vida da criança não terá continuidade (como se toda a vida não tivesse um limite). Claro que esse “deslize” do ministro é pouco dentro da perspectiva de quem procura demonstrar que um feto é uma vida humana, mas não deixa de ser um avanço em comparação às demais analogias que se costuma ver informalmente por aí, que chegam a comparar um feto com um parasita ou com um tumor dentro de um corpo hospedeiro.

Para completar o discurso, o ministro mostra que, nessas horas, não há a menor preocupação em soltar as mais reluzentes pérolas, desde que seja em prol da causa, como dizer que “as mulheres que desejam manter a gravidez nesses casos, terão seu direito garantido”.

Falando sério, será que alguém chegou a pensar em algo diferente?

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