Dostoiévski e as redes sociais

“Assegura-se que o mundo, abreviando as
distâncias, transmitindo o pensamento pelos ares,
unir-se-á sempre cada vez mais, que a
fraternidade reinará. Ai! não acrediteis nessa
união dos homens. Concebendo a liberdade como o
aumento das necessidades e sua pronta satisfação,
alteram-lhes a natureza, porque fazem nascer
neles uma multidão de desejos insensatos, de
hábitos e imaginações absurdos. Não vivem senão
para invejar-se mutuamente, para a sensualidade e
a ostentação. Dar jantares, viajar, possuir
carruagens, cargos, lacaios, passa tudo como uma
necessidade à qual se sacrifica até sua vida, sua
honra e o amor à humanidade, matar-se-ão mesmo,
na impossibilidade de satisfazê-la. O mesmo
ocorre entre aqueles que são ricos; quanto aos
pobres, a insatisfação das necessidades e a
inveja são no momento afogadas na embriaguez. Mas
em breve, em lugar de vinho, embriagar-se-ão de
sangue, é o fim para que os conduzem.”

Os Irmãos Karamazov
Fiodor Dostoieviski, 1879

 

Enfim, não devemos superestimar as novidades do nosso tempo.

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Comentários

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2 comentários sobre “Dostoiévski e as redes sociais

  1. nunca terminei de ler "os irmáos…", mas já assistí 2 x ao filme de mesmo nome… e pelo que me lembro, o que fica claro é exatamente essa universalidade das pessoas, o dia a dia de todos nós, em qq parte do mundo; o homem comum, sua natureza, amor, esperança, amizade, crueldade, etc, etc. longe de ser um filme "romantico", fala de um mundo que raramente queremos enxergar, mesmo estando alí na nossa cara.

    as "novidades de nosso tempo"? que novidades, não é???!!

    instigante e interessante citação, Hamilton.

    abçs

  2. No mesmo livro ele diz: "A humanidade teve sempre tendência no seu conjunto para organizar-se sobre uma base universal."

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