O que por no lugar

O que pôr no lugar
Em uma das reações ao drama dos recentes ataques criminosos e dos conflitos entre bandidos e forças policiais no Rio de Janeiro, vejo a população fluminense e, por que não, de todo o Brasil, expressando um misto de satisfação e esperança de que desta vez o poder crime possa ser efetivamente escorraçado do cotidiano do Rio de Janeiro.
A questão agora é: o que vai ser colocado no lugar? Porque as lacunas sempre são preenchidas por alguma outra coisa. São necessários bons valores e bons princípios, que possam pautar a conduta, não da sociedade, mas do indivíduo como unidade básica desta sociedade e, em última instância, a peça fundamental que a compõe.
No entanto, vivemos em uma cultura de relativismos, onde sequer é possível encontrar consenso sobre o que seja “bom” e “mau”. Toda colocação neste sentido acaba invariavelmente envolvida com rótulos como “moralista”, “censura”, “repressão”, “conservadorismo”.
Mas, não podemos nunca esquecer que o tráfico existe porque existe um consumidor final, que sustenta toda a cadeia de produção e distibuição das drogas; não podemos esquecer também que a corrupção da polícia e das autoridades, que facilita a vida dos criminosos e viabiliza o crime organizado, ela começa no famoso jeitinho, que todo cidadão bem aprendeu a tirar proveito em seu dia-a-dia, ou na melhor das hipóteses, fazer vista grossa.
Ou seja, a sociedade é um todo integrado. Imaginar que o mal é o que está nos outros é uma ilusão que gera simplesmente mais segregação e discriminação de forma arbitrária. O egoísmo de cada um é um dado natural e a noção darwinista da lei do mais “esperto” é quase um direito estabelecido no contexto social do brasileiro.
Mas, se esses valores não forem substituídos por outros, que restabeleçam como inegociáveis os atributos positivos de uma postura individual de altruísmo, honestidade e cooperação desinteressada, o que veremos será apenas uma mudança de turno, com outros grupos assumindo o controle da exploração da sociedade, com possíveis variações exteriores, talvez, mas sempre mantendo a lógica dos mecanismos de preservação dos interesses pessoais a qualquer preço, que a própria sociedade que os condena, defende.

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Um comentário sobre “O que por no lugar

  1. Hj pela manhã, ouvindo o noticiário, escutei uma frase interessante de um comentarista.

    ” Depois do filme Tropa de Elite , parece que “Caiu a ficha” da população do Rio”

    Achei muito interessante isso. Porque a impressão que eu tinha era exatamente essa. Que o povo defendia os traficantes , usando sempre a retórica que eles traziam benefícios paras as comunidades.

    Eu não sei até que ponto a frase do comentarista é relevante nem mesmo se a impressão que eu tinha era certa ou não.

    O que sei é que espero que essa tomada da polícia nas favelas seja uma tentativa de acabar com o tráfico definitivamente. Sabemos que o Brasil será sede da Copa e a imagem do Rio precisa ficar boa diante do mundo. Assim como a polícia teve q tomar a favela na vinda do Papa pra “imagem ficar boa”, corre-se o risco de estar acontecendo a mesma coisa agora.

    Mas, pelo que tenho assistido nos noticiários parece que de fato a população entendeu que a polícia TEM que fazer o seu trabalho.

    Quanto aos valores atuais das pessoas serem substituídos por valores morais maiores e corretos, Bem, a esperança é a última que morre.

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