Verdade virtual, mentira real…

MáscarasA história poderia ser uma adaptação moderna de algum folhetim antigo, ou ainda uma anedota criada por alguém apaixonado por situações paradoxais. Mas saiu nas páginas de notícias reais pelos sites da Internet afora.

Sara e seu marido Adnan, um casal da bósnia, resolveram começar um relacionamento virtual usando pseudônimos. Ela, como “Sweetie” (docinho), ele, usando o “nick” “Prince of Joy” (príncipe da alegria). A coisa caminhou, afinal o casal se apaixonou, ambos se identificando como presos a um casamento infeliz e convencidos de ter encontrado sua alma gêmea…Até marcarem um encontro e descobrirem a dura realidade. Daí em diante coisa ficou feia, e o processo de divórcio foi inevitável, com as duas partes sentindo-se traídas e acusando-se de infidelidade.

O marido decepcionado chegou a comentar: “É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável”.
Provavelmente, da mesma forma como ele não poderia nunca relacionar “docinho” com a mulher que ele tinha em casa, sua esposa também jamais relacionaria seu “príncipe da alegria” virtual com o esposo do mundo real.

Virtuais ironias à parte, o assunto justificaria uma tese acadêmica, onde questões interessantes talvez pudessem ser analisadas, ou mesmo respondidas, tais como:
Afinal, quem de fato a pessoa é, aquela do universo virtual, a do mundo real, ou ainda uma combinação parcial de cada uma?
Por que as pessoas se tornam tão diferentes no mundo assim chamado virtual, a ponto de um casal não se reconhecer?
O mundo virtual mostra ou esconde?
Cria ilusões ou expande a possibilidade das pessoas se expressarem e se revelarem de modos que não fariam no mundo real?

Bom, como eu ainda não li a tese, nem me atrevo a fechar questão sobre o assunto…

Seja como for, o que esse tipo de situação revela é que a fronteira entre o mundo assim chamado virtual e o mundo real a cada dia se torna mais difusa e subjetiva, se é que de fato algum dia chegou a existir. Eu, particularmente, penso que não.

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Comentários

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5 comentários sobre “Verdade virtual, mentira real…

  1. No mundo virtual conhecemos só o lado bom da pessoa. Vejo você e crio uma imagem a seu respeito pela forma como você se expressa, pelo que você pensa e diz. Você nunca passou momentos tensos ao meu lado, pagando contas, enfrentando crise financeira, enfermidades, criação de filhos, problemas familiares, peso da rotina, mau humor, trabalho doméstico, dormir e acordar juntos… Portanto, um verdadeiro conto de fadas, a cereja do sorvete, por isso tão envolvente e perigoso. É a vida dos amantes, não é não? Já pensei sobre isso… Quem não queria uma vida dessas? Só o bom do relacionamento, casar e morar em casas separadas, namorar, só se encontrar para passar bons momentos juntos… e vai dizer que não? é o “Carpe Diem” da vida, o – Eu mereço! Por isso tantos casais se separam, o peso das responsabilidades do dia a dia é muito maior que o prazer, você se torna chato e sufoca o romance. O homem natural não consegue pagar o preço, nós, cristãos, vamos para a cruz. Daí o se sentirem traídos no texto, quem é você afinal? Somos os dois, só não soubemos manter o equilíbrio no meio disso tudo. Os espinhos sufocaram as flores… faltou a graça de Jesus…

  2. Em 1928, no seu poema tabacaria, Fernando Pessoa já previa: “quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara…”, claro que há casos e casos!!
    tenho ovelhas (2 casais) que se conheceram pela internet e vivem muito bem, com casamentos sólidos e (muito) reais…

    tenho colegas que conhecí virtualmente há 6 anos e que, depois de conhecer pessoalmente, a amizade se solidificou ainda mais…

    creio que o virtual é algo passageiro e depende de cada um ser, primeiramente, sincero consigo mesmo e depois com o outro lado. vai de cada pessoa e cada caráter.

    bom texto. assunto prá “mais de metro” de discussão.

    abçs

  3. Meu caro e querido Rémilton, somos todos fortalezas indecifráveis à mente humana. Conhecemos muito pouco uns dos outros, e talvez até de nós mesmos. Meu amigo Pr. Fabio Teixeira diz que se vc quer realmente conhecer alguém tem que vê-la na hora da raiva. E nós mesmos, quando ficamos raivosos? Não foi à toa que Jesus disse para não julgarmos o outro, porque só Deus sonda mente, coração e rins.
    Grande abraço deste admirador.

  4. A mentira que eles viviam era o próprio casamento.

    Assim como escondiam seus verdadeiros nomes, tambem escondiam quem eram de fato na vida real.

    E nem duvido que até mesmo em suas “confidencias virtuais” não tenham cometido o mesmo engano.

    Enganados por suas desilusões. Não por suas ilusões.

    Quanto aos seus questionamentos, só posso responder por mim.

    Sou exatamente a mesma tanto no virtual, qto no real. A diferença , no meu caso, é que tenho como “filtrar”melhor quando e com quem quero falar.

    Em algumas dessas situações acabo “me mostrando” mais somente para quem acredito se aproximar mais de minhas semelhanças.

    Acredito que aqueles que não se comportam assim, tem em suas vidas frustrações que em seus entendimentos não tem como mudar.

    Podemos dizer que encontraremos gente, frustrada, perdida e até mesmo covardes.

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