1 minuto pra Bin Laden

cor diferenteUm vereador de Anápolis, Goiás, pediu um minuto de silêncio em memória a Osama Bin Laden.
A reação geral foi de indignação, como seria de se esperar. Mas,à parte a excentricidade e a – no mínimo – inconveniência do gesto, a iniciativa do vereador levanta uma questão interessante, do ponto de vista do senso comum de espiritualidade da nossa sociedade.

Em sua justificativa, o vereador argumenta, de acordo com o jornal Extra, entre outras coisas que, “morreu uma pessoa que é filho de Deus”. Sem querer julgar o mérito da afirmação, podemos admitir que, de fato, uma boa parcela das pessoas no mundo deveria concordar com ele. São aquelas que, crendo em Deus, entendem que (1) todo ser humano é filho de Deus e que (2) Deus nunca iria condenar um filho seu a um destino cruel como o inferno, lago de fogo, tártaro ou qualquer nome que se prefira dar. Vale dizer que nem todos que acreditam em Deus, necessariamente acreditam nas duas colocações acima. Há os que crêem em Deus e na possível condenação, e há os que crêem que nem todos os homens sejam automaticamente “filhos” de Deus, ainda que criados por Deus.

Para as pessoas que aceitam as duas premissas (1) e (2), todos os seres humanos um dia irão viver alegremente no Paraíso, ou algo tão bom quanto isso. Porém, em casos como esse, onde a sociedade é assolada em comoção pelas atitudes de uma determinada pessoa, essa convicção costuma ser posta em xeque.
Fica claro que há um conflito lógico, pelo menos dentro da ótica defendida por essa parcela significativa de pessoas. Afinal, ou Osama é um filho de Deus como qualquer outro e merece ou então Osama e, quem sabe, Hitler e alguns outros nomes de consenso mundial são as poucas exceções que não vão “para o céu”. O desafio fica por conta de quem acredita nessa universalidade da salvação, mas ao mesmo tempo tem repugnância à ideia de dividir o céu com o camarada.

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Comentários

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2 comentários sobre “1 minuto pra Bin Laden

  1. Então. Lendo este seu texto, fico pensando sobre algumas coisas, vou enumerá-las:

    1 – A Bíblia dz que o “salário do pecado é a morte”, vemos que de certa forma, foi o que aconteceu a toda humanidade em Adão; ao contrario disto o salário do “NÃO PECADO” é a VIDA, também vemos isto em CRISTO e automaticamente recebemos por meio DELE a VIDA. A diferença básica é que a morte que herdamos em Adão, não no deixou escolha de não nascermos com ela (a morte); já a VIDA em Cristo, cabe a nós aceitá-la ou rejeitá-la.

    2 – A Palavra de DEUS fala de Galardões, deixando claro uma diferenciação na sua “distribuição”, não é isto? Deus como justo Juiz, tem penas diferentes para “pecados” ? Até onde entendo, solucionado o problema da morte em Cristo, o que receberemos de Deus individuamente, estará ligado a nossa correspondência ao chamamento; a mesma premissa, creio eu, será também usada para as punições, para os que optaram por rejeitar a Cristo e consequentemente, as escolhas sobre seu modo de vida sobre a face da Terra.

    Muito bom seu texto hamilton. (como sempre 🙂 )
    Abçs

  2. Bom, acho q aí entraria aquela velha questão sobre os que são predestinados ao paraíso e os q não são. Judas não foi morto , se matou. Seria ele um predestinado ao inferno? Ele estaria com Deus ?

    Quando pensamos no que Judas fez, desejamos q ele esteja conosco no paraíso? Bem, imagino qual seria a resposta , se ao invés de Judas , colocássemos no lugar, Sadan, Osama, hitler ou qualquer outro assassino.

    Por isso vivo repetindo que amo Jesus exatamente pq sei que Ele me ama APESAR de mim. Porque sinceramente, eu não posso dizer que faria um minuto de silêncio por alguem que destruiu a vida de milhares de pessoas intencionalmente.

    Bem, creio que o “apartai-vos de mim malditos. Não vos conheço”. Na minha opinião, caberia bem aqui.

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