Protecionismo humano

Pedaço de carneNesses tempos em quem vemos tanta gente dando mais atenção a animais do que a seres humanos e querendo dar aos primeiros os direitos que muitos dos últimos ainda não conquistaram neste planeta, é confortador descobrir que há uma classe de protecionistas ao estilo de Michael Appleby. Consultor científico da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), Appleby defende uma série de políticas de proteção aos animais, ao mesmo tempo que usa sapatos de couro e não condena o consumo de carne.

Falando para a Revista Época, a entrevista  já delineia no título – “Pobres não devem deixar de comer carne” –a ponderação de um discurso capaz de ser consistente e realista, sem partir para extremismos que exacerbam a condição animal ou subestimam as necessidades humanas, tão comum nesse tipo de discussão. A seguir, alguns destaques do que diz Appleby.

“Achamos que algumas formas de lidar com animais nas fazendas estão erradas, mesmo que esses bichos sejam comuns.”

“Nem todos devem seguir esse padrão de alimentação com carne, como eu. Alguns podem preferir ser vegetarianos.”

“De qualquer forma, boa parte dos que consomem muita carne poderia comer menos.”

“Não estou dizendo em momento algum que os pobres ou mal nutridos devem ter uma dieta restritiva. Alguns inclusive deveriam consumir mais produtos de origem animal por razões nutricionais.”

“Para alguns, não adianta cuidar da criação se o bicho será morto depois. Não é nossa posição. Para nós, se o animal será morto, é importante que ele seja criado em boas condições de vida. Sua morte deve ser a mais humana possível: rápida e indolor possível. A pele, para nós, é um luxo injustificável.”

“[O couro] É o subproduto da carne. Se o animal será criado e morto pela sua carne, então é melhor usar o máximo possível dele. Criar animais por sua pele seria mais aceitável se também consumíssemos a carne. Mas a pele, como a da raposa, é um luxo dispensável.”

“Certos animais são mais importantes para nós que alguns humanos. Isso não quer dizer que devamos proteger todos os cães e esquecer os humanos.”

“Não gosto de baratas, mas não pisaria à toa numa.”

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