Deus seja louvado

Deus seja louvadoO Ministério Público pretende dar fim na expressão “Deus seja louvado” que aparece nas notas de Real. Sinceramente, desde que foi implementada a frase “Deus seja louvado” nas notas do nosso dinheiro, se eu reparei nela mais do que umas três vezes em todos esses anos, foi muito.

Como teísta e cristão que sou, particularmente vejo o dinheiro um objeto sujo demais para ostentar o nome de Deus e não ficaria nem um pouco incomodado se fosse retirado de lá. A lógica da economia mundial, simbolizada pelo dinheiro, reside em bases em grande parte — para não dizer totalmente — incompatíveis com o modo de vida proposto pela fé cristã. Tanto é que Jesus certa vez disse que “não poderíamos servir a Deus e às riquezas”. E não falo aqui em condenação à prosperidade ou apologia à pobreza, mas de princípios, critérios, prioridades, maneiras de ser relacionar e até ver a vida. Uma outra hora eu me estendo mais no assunto.

Nem por isso, eu deveria deixar de observar a inconsistência da argumentação dos que pleiteiam a retirada da expressão. O “Deus seja louvado” das notas, como já foi exaustivamente discutido, pode ser considerado um conceito genérico. Cada pessoa pode enquadrar ali a divindade que preferir, até mesmo o deus-dinheiro, que é o único que muita gente reverencia. Sendo assim, até mesmo boa parte dos ateus poderia sentir-se representada. Há de fato muito pouca gente que viva integralmente como a desconsiderar em seu dia-a-dia a existência de algum deus e, estas pessoas, desconfio, são justamente as últimas a se importar com a tal citação no dinheiro.

O que nos leva para o segundo ponto. A questão da intolerância. Intolerância de quem, exatamente? Se a maioria admite algum tipo de divindade e se boa parte dos que assim não procedem está pouco ligando para o que diz no dinheiro, só nos resta um grupo muito limitado, mas muito engajado e barulhento, de pessoas que desejam nos convencer de que o mundo será mais tolerante caso a intolerância deles seja acatada em detrimento do pensamento da maioria.

Sim, porque tolerância pode ser qualquer coisa, menos o que esta iniciativa propõe. Se uma pessoa perde o sono porque um deus que ela nem mesmo crê está sendo citado no dinheiro de seu país, então ou ela não descrê tanto assim como gostaria, ou simplesmente está demonstrando como é quando alguém não aceita uma opinião divergente da sua, ou seja, intolerância.

Até porque, hoje em dia quase todo mundo só usa cartão…

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Atualizado em 30/11/2012: Por enquanto a expressão Deus seja Louvado continuará nas notas, conforme decisão da juíza federal Diana Brunstein)

 

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