O politicamente incorreto Ben Carson

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Ben Carson

Dr. Benjamin Carson, conhecido neurocirurgião americano, diretor do departamento de neurocirurgia pediátrica do hospital John Hopkins discursou este ano no National Prayer Breakfast, um evento que ocorre anualmente na primeira quinta feira de fevereiro e que conta com a participação do presidente dos Estados Unidos.

Carson, já havia discursado no evento 16 anos atrás e, em 2008, foi homenageado com a medalha presidencial da liberdade pelo presidente Bush. Neste ano, sob os olhos do presidente Barack Obama, seu discurso abordou a liberdade promovida pela educação, a questão da saúde pública, além de outros assuntos, porém antes, ao iniciar, ele fez questão de contextualizar sua fala citando versículos bíblicos e criticando a intimidação sobre a liberdade de expressão imposta pelo pensamento politicamente correto.

A observação não foi aleatória, uma vez que o que foi dito em seguida, acabou mesmo por ser considerado, na opinião de algumas fontes, confrontador e até ofensivo em relação à postura do governo Obama sobre uma série de assuntos.

Por outro lado, ao que parece, muita gente concorda com as opiniões do médico. O vídeo do seu discurso foi visto no Youtube por mais de 420 mil pessoas em menos de 10 dias e sua fundação começou a ser inundada com doações após seu discurso “politicamente incorreto”, seguindo o site Christianpost.

Abaixo, algumas citações extraídas do seu discurso.

 ”Não é minha intenção ofender ninguém. Descobri, no entanto, em anos recentes, que é muito difícil falar para um grupo grande de pessoas hoje me dia e não ofender alguém. Você sabe, as pessoas andando por aí com seus sentimentos sobre os seus ombros esperando você dizer algo, “Aghhh ouviu aquilo”? A polícia do PC (politicamente correto) está de prontidão o tempo todo.”

“Chegamos ao ponto onde as pessoas estão com medo de realmente falar sobre o que eles querem dizer porque alguém pode ser ofendido.”

“As pessoas têm medo de dizer Feliz Natal em tempo de Natal. Não importa se a pessoa que você está falando é judeu ou, você sabe, se eles são de qualquer religião. Isso é um cumprimento, uma saudação de boa vontade.”

“O que precisamos fazer  neste mundo de correção política é esquecer a unanimidade do discurso e a unanimidade de pensamento, e temos de nos concentrar em ser respeitoso com as pessoas com quem discordamos.

“E uma última coisa sobre politicamente correto, que eu acho que é uma coisa horrível, por sinal. Eu sou muito, — compassivo, e não quero nunca  ofender ninguém. Mas o politicamente correto é perigoso. Porque, você vê, este país um dos princípios fundadores foi a liberdade de pensamento e de expressão, e isso abafa as pessoas. Ele coloca uma mordaça nelas. E, ao mesmo tempo, mantém pessoas longe de discutir questões importantes, enquanto o tecido desta sociedade está sendo alterado. E não podemos cair nesse truque. E o que precisamos fazer é começar a falar sobre as coisas, sobre coisas que são importantes.

“Quando você educa um homem, você o liberta.

“Eu tinha um temperamento horrível, baixa auto-estima. Tudo o que você acha que impediria o sucesso. Mas eu tinha algo de muito importante, eu tive uma mãe que acreditou em mim e eu tive uma mãe que nunca permitiria ser vítima não importa o que acontecesse.”

“Precisamos de médicos, precisamos de cientistas, engenheiros. Precisamos de todas as pessoas envolvidas no governo, não apenas advogados …Eu não tenho nada contra advogados, mas você sabe, aqui há uma coisa sobre advogados …Me desculpe, mas eu tenho que ser sincero … tenho que ser verdadeiro – o que advogados aprendem na Faculdade de direito? A ganhar, por bem ou por mal.”

“O que temos de começar a pensar é: como podemos resolver problemas?

O transcrito completo do discurso pode ser lido (em inglês) aqui.

 


C. S. Lewis e a distopia

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Tha Hideous StrenghtO livro “Aquela Força Medonha” (That Hideous Strenght), de C. S. Lewis foi incluído na lista dos livros mais “distópicos” de todos os tempos, do site Popcrunch. É interessantemente satisfatório ver o trabalho de C. S. Lewis ao lado de títulos muito mais conhecidos como V de Vendetta, de Alan Moore, Neuromancer de William Gibson,  Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, 1984 de George Orwell, além de Philip K. Dick, com o livro que inspirou o filme Blade Runner.
Distopia, a visão de uma sociedade degradada e calcada em valores que pervertem a condição humana, frequentemente é caracterizada pelo totalitarismo, autoritarismo, pelo opressivo controle da sociedade (Wikipedia)

Distopias costumam ser retratada na literatura pelo gênero ficção científica. Não é exatamente o caso deste livro, que Lewis preferiu chamar de “um conto de fadas para adultos”, algo que atesta o espírito visionário do autor em face da popularidade atual do gênero em séries como Grimm, The Beauty and the Beast e Era Uma Vez. Junto com “Perelandra” e “Longe do Planeta Silencioso”, o livro de C. S. Lewis faz parte da trilogia cósmica mas, diferente dos dois primeiros, se passa na própria Terra, onde C. S. Lewis descreve a forma como o cientificismo, o controle social, manipulação da informação atingem extremos e dominam todas as atividades humanas com nefastas consequências, numa abordagem a partir do pano de fundo da cosmovisão espiritual que envolve toda a sua obra. Uma temática bastante relevante para os tempos em que vivemos.


Os valores e as escolhas

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Joubert de O. Sobrinho
Publicado no “Em Família 23″

Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência – Deuteronômio 30:19

Manchete do New York Post

Não consegui evitar um certo azedume nas entranhas após ler no jornal o artigo que comentava a escolha do fotógrafo profissional R. Umar Abassi. Ele preferiu gastar duas dezenas de segundos para fotografar um homem prestes a morrer nos trilhos do metrô de Nova York, ao invés de correr para tentar salvar sua vida. Foi uma escolha. Pior ainda: ele saiu da estação rapidamente para vender sua foto exclusiva ao jornal New York Post que, por sua vez, não fez por menos: publicou-a no dia seguinte na primeira página com o texto:

“Empurrado da plataforma do metro, este homem vai morrer”
“Condenado”

O fotógrafo informou às autoridades que usou o flash para alertar o condutor do vagão da presença do homem nos trilhos. Desde quando um flash em frente aos olhos facilita a visão? Alegar que o Código de Ética dos fotógrafos foi a razão do mesmo não ter agido em favor da salvação do coreano é bobagem. O código solicita que o fotografo evite interferir, influenciar ou alterar acontecimentos. Mas que acontecimentos? Mesmo quando a vida humana está em jogo? Por causa deste código muitos fotógrafos se esconderam por detrás das câmeras lavando as mãos feito Pilatos, enquanto poderiam tomar atitudes mais benignas. A mensagem que ele deixou foi clara: mais valem os milhares de dólares, a projeção de meu nome, um possível prêmio, que a vida de um cidadão qualquer. Ele escolheu a morte.

O valor da vida
Alegar esta regra antiética do código, contraria os princípios norteadores e responsáveis pela existência dos salva-vidas, dos bombeiros, dos policiais, dos médicos socorristas e agentes de saúde cuja prioridade é salvar vidas. Mas, o fotógrafo é “neutro”?!? Nem no mundo fantasioso dos quadrinhos há dúvida. Peter Parker, o Homem-Aranha, é fotógrafo, mas (analisando a natureza das histórias até aqui) seus sentidos-aranha indicam que mais vale salvar uma vida que fotografar sua morte!

O que está em jogo numa decisão como esta são os valores. Definindo com simplicidade, quando reconhecemos um valor nas coisas, inclinamo-nos a ter uma atitude favorável para com elas que se reflete nos nossos atos e escolhas. Se não valorizamos a vida nossas escolhas não darão prioridade a ela. O fotógrafo declaradamente agiu valorizando seu trabalho, sua profissão, seu ganho, ou seja lá o que for, mas não priorizou salvar a vida.
Expor a vida para salvar vidas

Em contrapartida, apresento-lhes uma grande heroína polonesa da Segunda Guerra Mundial que salvou 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia, falecida em 2008. Em março de 2007 a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz (ano em que escolheram Al Gore). No entanto, o memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em 1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não-judeus que salvaram judeus.

Irena Sandler

Irena Sandler nunca se considerou uma heroína.

“Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco”, declarou.
Por valorizar a vida, Irena Sendler foi presa em sua casa em 20 de outubro de 1943. Durante o período em que ficou detida no quartel-general de Gestapo, foi torturada pelos nazistas que quebraram seus pés e pernas. Ainda assim, ela não deu informações. Logo depois, foi condenada à morte, mas milagrosamente foi salva quando a conduziam à execução por um oficial alemão que a resistência polonesa conseguiu corromper.
Sendler continuou sua luta clandestina sob uma nova identidade até o final da guerra, trabalhando como supervisora de orfanatos e asilos em seu país. Quanto aos valores deixarei que essa mulher que optou escolher pela vida, pela bênção, Irena Sendler, mencione as breves e suficientes palavras que o fotógrafo, bem como a multidão de pessoas que pensam como ele, deveriam atentar para entender onde está a raiz do problema:

“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade”