Liberdade de expressão. Uma via de mão dupla.

branco sobre branco
Meus dois centavos na discussão sobre o encerramento da exposição que apresentava, como arte, pedofilia, zoofilia e agressões à religião patrocinadas por um banco.
O que as pessoas que criticaram o encerramento da exposição querem não é o direito à liberdade de expressão, mas sim a obrigatoriedade de aceitação irrestrita.
Ora, sem querer entrar no mérito do que seja “arte”, se algo sob o rótulo de arte reivindica total liberdade de expressão, o mínimo que deve aceitar é total liberdade de crítica; se o que propõe é contestação, questionamento, deve estar disposta a esperar tudo isso, inclusive rejeição. Qualquer coisa a menos do que isso é hipocrisia.
Por isso é mais fácil classificar as reações contrárias como “censura” do que reconhecê-las como a expressão legítima de rejeição disseminada por uma ampla faixa da sociedade.
Faria algum sentido falar de censura se o encerramento fosse causado por alguma típica manifestação de militantes esquerdistas tentando impedir o acesso ao local, agredindo o público presente, quebrando tudo, e chamando os contrários de “fascistas”. Mas nada disso que aconteceu.
Ao contrário, a adesão foi espontânea, sem coação. Por isso mesmo, muito mais forte politicamente. O público rejeitou e o banco patrocinador entendeu a única linguagem que interessa para ele. A do $$$. Não que não tenha lá a sua ideologia.
Na “grande mídia” de sempre, algumas vozes se levantaram apontando que o tal boicote era “preocupante”. De fato é, mesmo. Imagine se a sociedade começar a gostar da idéia de que funciona reagir contra a papagaiada político-ideológica que todo dia é lançada contra ela?

Hamilton Furtado

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