reCAPTCHA

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recaptchaVocê sabia que pode estar ajudando a digitalizar livros?

CAPTCHA é aquele recurso que todos já vimos em algum site, que pede para que algumas palavras sejam digitadas pelo usuário antes do envio de algum formulário, comentário, email ou semelhantes.
A função dele é mostrar para o sistema que o usuário é um humano e não um bot, um robô, desempenhando tarefas automatizadas, o que poderia comprometer a segurança e o funcionamento do sistema.

reCAPTCHA é um serviço que decidiu tirar proveito desta ferramenta tão recorrente na Internet, agregando uma nova função a ela: ajudar da digitalização de textos e livros.

A cada vez que vc usa o reCAPTCHA, vc não apenas está mostrando que é um humano atrás do computador, mas tb está contribuindo com uma nova palavra para algum livro que está sendo digitalizado.

Livros antigos, para serem digitalizados, são transformados em imagens por um scanner e depois convertidos em texto por OCR.
O que acontece é que nem sempre o OCR consegue indentificar as palavras.
Aí o reCAPTCHA entra em ação. O sistema envia uma palavra desconhecida para que o humano atrás do computador o ajude a identifica-la. A mesma palavra é enviada para um grupo de usuários e o padrão de resposta irá ajudar a definir com confiabilidade qual é a palavra.
Para que o CAPTCHA funcione em sua função normal, de prevenir bots, outra palavra conhecida precisa ser enviada junto. Por isso o usuário recebe duas palavras sempre.

Segundo o site, cerca de 200 milhões de CAPTCHAS são resolvidos todos os dias a uma média de 10s por evento, o que dá 150 horas de trabalho por dia.

Confesso que achei uma super sacada.

O site não deixa claro quais são os projetos que estão sendo beneficiados por este recurso, mas se o trabalho retornar aos usuários em forma de mais conteúdo de uso livre, está justificado o uso da mão-de-obra gratuita.


Homofobia. Doença, crime ou política?

| Em Comportamento, Sociedade


censuraHomofobia é uma palavra interessante. Seu significado deriva do grego e está relacionado a doenças em que se desenvolve algum tipo de medo irracional, aversão ou rejeição doentia contra algo: acrofobia, para o medo de altura; hidrofobia, para o medo de água; claustrofobia para o medo de lugares fechados, dentre outros em uma longa lista. Em regra, um portador de uma “fobia” reage fugindo e evitando o objeto de seu medo.

Em algum dado momento o termo passou a ser associado a atos de repulsa violenta e brutalidade contra homossexuais, o contrário do que deve se esperar de alguém com “medo”, a propósito. Mas, por conta disto, hoje a discussão em pauta gira em torno da “criminalização da homofobia”.

Antes de mais nada, a sociedade deveria chegar a uma conclusão sobre se homofobia é uma doença, como sugere a terminologia em sua origem ou se é algo imputável como crime. Não é possível ser as duas coisas.
Como alguém poderia ser incriminado por uma doença? E mais, se alguém disser que “nasceu assim”, estaria justificado em seu comportamento?

Na verdade, para se manter a discussão em torno da tal criminalização da homofobia é necessário que o significado do termo seja aquele se distancie do conceito patológico e que valorize seu teor ideológico, agregando conceitos ao seu significado, uma vez que crimes de ódio, simplesmente, já são tipificados como tal e não precisariam de novas leis para isso.

Entretanto, ao contrário de uma definição mais clara e objetiva do que deveria designar o termo homofobia, o que a sociedade tem sido obrigada a encarar é uma sistemática remodelagem do termo para que este assuma um significado ainda mais abrangente, com bordas cada vez mais difusas, a ponto de até a liberdade de opinião, a subjetividade do pensamento e do desconforto causado por qualquer estranhamento comportamental se tornarem sujeitos ao rótulo de “homofóbicos”. Em outras palavras, em um contexto suficientemente amplo e vago, mesmo um simples texto como este, criticando a ambiguidade do termo homofobia e seu uso político, corre o risco de ser acusado de “homofóbico”.

Trata-se, portanto, de um expediente bastante compreensível do ponto-de-vista ideológico. Quanto mais elástico for o espectro do seu significado, mais fácil será enfiar dentro do estigma de “homofóbico” aquilo que for em dado momento conveniente discriminar, intimidar ou, num futuro, quem sabe, incriminar.


O Dono da TV

| Em Comportamento, Sociedade


TV refém

A mais nova tentativa de controle governamental sobre a opinião pública desta vez diz respeito à televisão.

Este mesmo governo que já tentou cercear a imprensa, que faz vista grossa a conteúdo ideológico em livros escolares e que ainda não desistiu de promover a sexualização infantil precoce sob o rótulo de ‘tolerância’, agora pretende proibir que as emissoras de TV repassem espaço em sua grade de programação a terceiros, o chamado “aluguel de horário”.

Se já não bastasse a excessiva e, em tempos digitais, cada vez mais questionável centralização do controle de distribuição das concessões de radiodifusão por parte do poder público, que ao longo da história deste país transformou tais concessões em moeda política, o governo agora mostra-se insatisfeito com a falta de controle sobre aquilo que é veiculado pelas emissoras de TV e deseja instituir um novo “marco regulatório” das comunicações, sob o pretexto, correto, de que o atual, de 1962 está obsoleto.

Eu me pergunto o que, na televisão, deve ser definido como “aluguel de horário”?  À parte o tempo de veiculação, o nome que se dá à inserção e a forma de contrato entre as partes, qual a diferença entre um comercial de 30 segundos e um programa de vendas de meia hora? Ambos estão, alugando o espaço da emissora para vender. O governo proibiria também os comerciais, ou os deixaria de fora com base em alguma cláusula de tempo mínimo, formato ou natureza da informação veiculada? Como fazer isso sem exercer algum tipo de arbitrariedade?

De qualquer modo, dois grupos de destacariam de imediato dentre os mais afetados caso a medida entre em vigor: os programas de televendas e os evangélicos, este último sem dúvida em uma escala muito maior. Não é de se espantar, portanto, que representantes deste segmento tenham encarado a proposta como um ataque especificamente dirigido e já tenham se apressado em protestar recriminando a possibilidade desta mudança vir a acontecer.

Do lado oposto, dois argumentos principais parecem embasar os favoráveis à medida: a qualidade dos programas da televisão brasileira e o excesso de espaço que os programas evangélicos adquiriram nos últimos anos.

Quanto ao primeiro argumento, é fácil observar que a qualidade dos programas nada tem a ver com o tipo de pessoa que o produz ou com quem paga pelo horário em que é veiculado. A lista dos programas de qualidade duvidosa produzido pelas próprias emissoras é interminável e nada nesta medida de controle nos permite acreditar que o lixo televisivo venha a ser suprimido com essa medida. Pelo contrário, as emissoras seriam forçadas a preencher a grade vazia com mais programas sem muitas vezes terem condições de investir, o que não impediria programas de produção e qualidade duvidosos.

O outro argumento, mais imediatista e superficial ainda, é da crítica aos programas evangélicos. Neste caso – sem entrarmos no mérito do conteúdo destes programas – o discurso se baseia na repressão ideológica descarada contra o conteúdo que é oferecido por eles. Se há abusos, exageros ou enganos promovidos por estes programas, deveriam ser resolvidos pela legislação vigente no país, preservando-se sempre o princípio constitucional da liberdade de expressão. Fora isso, no que diz respeito a conteúdo, porém, o que neste caso os defensores deste argumento estão defendendo não seria nada diferente de querer proibir uma loja de vender um disco ruim. Como não se pode impedir alguém de gravar um disco ruim e como não se pode estabelecer judicialmente que um disco é ruim, visto que a definição envolve subjetividade, que se proíba a loja de vendê-lo.

As pessoas que celebram a possibilidade desta medida se concretizar, motivadas por suas aversões pessoais contra evangélicos, contra o lixo da TV ou mesmo contra o excesso de programas de televendas, deveriam deixar um pouco de lado a efusividade imediatista proporcionada pelo momento e tentar ampliar o campo de visão sobre o que isto pode representar a médio e longo prazo, pois o  que se pode ter certeza de tudo isso é que, cercear um pouco mais a veiculação de programas de produção independente, é dar ao governo maior controle sobre aquilo que é distribuido pelos canais de comunicação e chega à casa das pessoas. Em outras palavras, à medida que toma para si, o governo está tirando do público o direito de escolher aquilo que irá assistir em suas tevês.