Mais sacolas…

| Em Comportamento, Sociedade


sacola cara de trouxa
Acho que é a primeira vez aqui que posto duas vezes em seguida sobre um mesmo assunto, mas estas sacolinhas realmente estão rendendo.

É fácil para o poder público tomar esse tipo de iniciativa para eliminar as sacolinhas. É como o rodízio de placas: se o trânsito está inviável, basta proibir as pessoas de usarem carro. É mais fácil do que oferecer transporte público de qualidade. Enquanto isso, uma cidade como São Paulo até hoje não tem coleta seletiva de lixo.

A solução realmente passa pela mudança de hábitos, não raro pela retomada de hábitos que tínhamos há décadas atrás e que abandonamos em nome da comodidade.
Quando eu era criança, minha mãe levava uma sacola de plástico quando ia ao mercado, a mesma que servia para a feira. Quando chegava na loja, deixava a sacola num balcão próximo à entrada, pegava um cartão com um número e entrava para as compras. No mesmo balcão deixava-se também as garrafas de refrigerante vazias que seriam trocadas por cheias.

Enfim, há todo um encadeamento de processos na cadeia de consumo que não vão desaparecer só porque a sacolinha grátis sumiu. Há uma demanda por sacos plásticos que vai continuar existindo e nós vamos continuar despachando nosso lixo – incluindo embalagens plásticas – em sacos de plástico, com sacolinhas ou sem elas.

Ninguém deseja deliberadamente poluir e degradar o ambiente. Mas, do jeito que a decisão foi imposta ignorando tudo isso, onerando a ponta mais fraca de sempre e trazendo benefícios aos que já os detém, o povo tem todo o direito sim de se sentir com cara de palhaço. Ou de ‘trouxa’, para ficar mais apropriado ao contexto…


Sacola…

| Em Comportamento, Sociedade


Sacola plástica pede socorro

Minha primeira experiência no supermercado depois do fim das sacolinhas.

FIM?!?

Bom, não é bem assim… Elas ainda estão lá, só que agora custam 19 centavos cada, mas tá justificado: agora são biodegradáveis, e não dá pra fazer a caridade de vender ao preço de custo!…E pelo jeito não vão deixar de ser usadas, porque nem todo mundo vai ter um sacolão “ecológico” do Vietnã à mão quando se lembrar de passar no mercado, e nem deseja ou consegue caminhar equilibrando uma meia dúzia de embalagens nos braços.

Curiosamente, notei também uma sutil mudança na seção de pães: antes o cliente se servia e tinha à disposição sacos de papel para acondicionar suas compras. Agora, tanto pães quanto pacotes foram para trás do balcão. Seria para os sacos não virarem embalagem para outros produtos?

Enfim, um grande negócio, por enquanto, para os supermercados, desobrigados de oferecer as sacolas e com mais um lucrativo e quase obrigatório item na lista de compras de todo mundo. Desconfio que a medida também fará extinguir de vez a função de empacotadores, os poucos que ainda restam nas grandes redes.
Por enquanto o que vejo é um enorme sorriso no rosto dos empresários do ramo.

Ah…o preços dos demais produtos continuam os mesmos…

Neste endereço, a Revista Reciclagem disponibiliza uma matéria em PDF, com dados econômicos e técnicos sobre o mercado de reciclagem e interesses do setor em relação às sacolas plásticas.
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Adicionado em 31/01/2012: Acrescentei alguns comentários sobre este assunto neste novo artigo.

 


Melhor Idade

| Em Comportamento, Crônica, Sociedade


Pai jogando o filho para o altoÉ interessante ver como esses modismos da mídia vão se apegando ao nosso imaginário comum. “Melhor Idade” é nada menos do que um eufemismo publicitário para “Terceira Idade”, este também um eufemismo para “velhice”. Algo que surgiu na esteira do pressuposto de que dizer “Terceira Idade” seja uma coisa inconveniente, até de mau gosto.

Coisa simples de se entender, conhecendo a cobiça da sociedade contemporânea pelos ideais de juventude, novidade, força física e perfeição estética. Mais conveniente é  dizer “melhor idade”, sem lembrar o consumidor de que ele está na “idade errada”.

Mas o problema disso é que o significado de “melhor idade” acaba ficando distorcido. Como se uma idade fosse mesmo melhor do que as outras.

Eu, quando recordo o que passou, vejo que estava na melhor idade quando tinha 5 anos. Ê coisa boa. Preocupação zero, meu primeiro dia de escola, tantas descobertas.
Depois, vi que estava na melhor idade quando entrei nos 10 anos, 12, 16, 18, 20, 30 e assim por diante.
Cada idade me reservando desafios muito próprios, mas também surpresas inimagináveis e totalmente específicas. Coisas que eu não teria como experimentar tão vividamente se acontecessem alguns anos antes, ou alguns anos depois.

A mesma coisa acontece agora, quando tenho ao meu lado minha esposa, meus filhos crescendo também eles em uma idade também cheia de descobertas e novidades. Vejo que isso tudo é parte de um sonho que Deus foi concretizando um pouco a cada dia da minha vida e que me permite dizer que sim, hoje estou na melhor idade e daqui a 10, 20, ou tantos anos quantos o Senhor permitir, ainda estarei.