reCAPTCHA

| Em Dicas


recaptchaVocê sabia que pode estar ajudando a digitalizar livros?

CAPTCHA é aquele recurso que todos já vimos em algum site, que pede para que algumas palavras sejam digitadas pelo usuário antes do envio de algum formulário, comentário, email ou semelhantes.
A função dele é mostrar para o sistema que o usuário é um humano e não um bot, um robô, desempenhando tarefas automatizadas, o que poderia comprometer a segurança e o funcionamento do sistema.

reCAPTCHA é um serviço que decidiu tirar proveito desta ferramenta tão recorrente na Internet, agregando uma nova função a ela: ajudar da digitalização de textos e livros.

A cada vez que vc usa o reCAPTCHA, vc não apenas está mostrando que é um humano atrás do computador, mas tb está contribuindo com uma nova palavra para algum livro que está sendo digitalizado.

Livros antigos, para serem digitalizados, são transformados em imagens por um scanner e depois convertidos em texto por OCR.
O que acontece é que nem sempre o OCR consegue indentificar as palavras.
Aí o reCAPTCHA entra em ação. O sistema envia uma palavra desconhecida para que o humano atrás do computador o ajude a identifica-la. A mesma palavra é enviada para um grupo de usuários e o padrão de resposta irá ajudar a definir com confiabilidade qual é a palavra.
Para que o CAPTCHA funcione em sua função normal, de prevenir bots, outra palavra conhecida precisa ser enviada junto. Por isso o usuário recebe duas palavras sempre.

Segundo o site, cerca de 200 milhões de CAPTCHAS são resolvidos todos os dias a uma média de 10s por evento, o que dá 150 horas de trabalho por dia.

Confesso que achei uma super sacada.

O site não deixa claro quais são os projetos que estão sendo beneficiados por este recurso, mas se o trabalho retornar aos usuários em forma de mais conteúdo de uso livre, está justificado o uso da mão-de-obra gratuita.


Se não está no Google, não existe

| Em Comportamento, Sociedade


tubos e torneirasNão pude deixar de observar com interesse e curiosidade a notícia de que a “Justiça obriga Google a excluir páginas que exibem TV Globo em tempo real” divulgada há poucos dias pelo site IDG Now!.

Já é conhecido de todos o poder de controle e intermediação de conteúdo entre usuários e fornecedores de informações que o Google conquistou. A hiperbólica expressão “Se não está no Google, não existe” não surgiu do nada, mas porque resume com precisão esta realidade prática. Você encontra o que o Google te permite encontrar.

Sendo assim, fica fácil entender a decisão da justiça. É muito difícil tirar do ar todos os sites que cometam uma determinada irregularidade. Não que ela, justiça, não vá continuar tentando, mas é bem mais fácil simplesmente fechar a torneira ou, para não parecer tão radical, instalar um filtro na tubulação geral, por onde caminha toda a informação, deixando passar apenas aquilo que interessar. É isso que a justiça está determinando que o Google faça.

A decisão da justiça atesta o poder de influência dos mecanismos de busca sobre o que cada usuário é capaz de “ver” na Internet. Não é mais necessário sumir com a fonte de informação, basta impedir que ela chegue a quem a procura. Mais do que isso, demonstra a simplicidade do processo com que, em plena “era da informação”, uma decisão tomada por um grupo restrito é capaz de afetar um conjunto muitas vezes maior de pessoas. O próprio Google pode fazer isso por interesses mercadológicos e, a bem da verdade, sabemos que faz, quando, por exemplo, manipula os resultados de busca de acordo com o perfil do usuário pesquisador.

Caracterizar como infração a divulgação de um ato qualquer e não apenas a prática dele já é algo passível de, no mínimo, um bom questionamento, o que foge do nosso propósito aqui. Mas, podemos estender nossas preocupações em relação aos desdobramentos dessa decisão se passarmos a considerar que o procedimento de controle pode ser igualmente usado em relação a qualquer tema que alguma autoridade legal imaginar que deva sofrer controle: programação da TV, imagens de celebridades incomodadas, produtos nocivos ou, pior, questões ideológicas, políticas ou subjetivas, em que a promoção e defesa de determinados pontos-de-vistas não sejam convenientes para alguma parte interessada e influente.


Limpeza Ninja

| Em Crônica


Tecla

Tecla <Return> no meu teclado travando de repente. Em seguida a tecla <Shift> logo abaixo, também, juntamente com as teclas de acentos ao lado daquelas.

Uma inspeção rápida é suficiente para a trágica conclusão: o teclado precisa de uma bela limpeza.
Retiro duas teclas e percebo que a situação é grave. O teclado todo precisa de uma faxina completa. Não quero descartá-lo apesar da idade, é um raro teclado com portas USB para PC e ainda funciona muitíssimo bem. Só precisa de um pouco de dignidade.

Da última vez que me atrevi a desmontar um teclado, hé mais de uma década, ele nunca mais foi o mesmo. Mas decido me atirar à tarefa.
Desmonto e vou removendo as teclas, uma a uma. Rapidamente percebo que se continuar dessa maneira, a remontagem será um trabalho para monge chinês. Pego a câmera e tiro uma foto, para mais tarde poder identificar o local de cada tecla.

Pincel, cotonete, limpa-tudo, pano. Limpeza concluída. Passo ao desafio de colocar as teclas no lugar.

Ligo o display da câmera e vou seguindo pela foto feita anteriormente. O trabalho avança em bom ritmo. De repente, a bateria da câmera acaba. Ainda falta montar cerca de metade do teclado. Sigo montando as teclas mais óbvias e aquelas que lembro de memória, mas chega a hora em que não há mais como adivinhar.

Penso um pouco e tenho uma ótima idéia: vou invocar São Google para que ele me encontre uma foto de algum teclado semelhante. É só digitar “teclado qwerty layout” e o Google faz o resto…Peraí! Digitar? Para digitar eu preciso de um teclado inteiro!
Mas não me dou por vencido. Vou digitando as letras que já estão montadas. Logo me deparo com um espaço vazio com um furo redondo, onde deveria estar a letra “C” ou bem perto disso. Ao redor dele, muitos outros idênticos.
Penso um pouco, olho ao redor, vejo um cotonete. Está um tanto sujo a essa altura, mas vai servir. Aí entra a técnica ninja. Vou espetando o cotonete nos furos mais ou menos perto de onde desconfio que que as letras que preciso devem estar, porém às cegas. Um pouco mais à direita, um pouco à esquerda, volta, apaga. De novo.

Deu certo! Em questão de instantes consigo digitar três palavras completas! Clico em Pesquisar e eis a foto que eu precisava. Missão cumprida…ou praticamente…