Miopia antropológica

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No progama Canal Livre deste último domingo, 27 de julho, com o assunto ocupação da Amazônia, os generais Cláudio e Gilberto Figueiredo apresentaram as preocupações das forças armadas, mais especificamente o exército, com a região, questionando com muita propriedade a presença das ONGs estrangeiras, a ausência do estado brasileiro (com exceção das próprias forças armadas) e os erros das políticas indigenistas em andamento.

Nesse aspecto, foi interessante observar o quanto equivocada tem sido a forma por parte das instituições oficiais do país, de tratar o índio mais como um animal indefeso em extinção que deve ser preservado do que como um ser humano em condições de decidir e fazer escolhas por si mesmo.

No final do programa, o general narra um excelente exemplo de como a ação de antropólogos, com uma visão estereotipada do índio, é defasada da realidade. Ele conta que em um fórum de debates, uma antropóloga insistia vigorosamente na preservação da cultura indígena a todo custo. Observando o discurso, um índio presente, em certo momento manda trazer um cesto típico de sua tribo, com peso de 40 quilos e pede para a antropóloga carregá-lo nas costas, como as mulheres de sua tribo fazem. Diante do quadro ele, em seguida, se volta e diz: “Veja, não é isso que eu quero para minha filha”.

Alguém precisa de um discurso mais convincente do que este?


Infanticídio cultural

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As relações de interferência do homem “branco” na cultura indígena, geralmente são tratadas na mídia apenas como uma questão de agressão cultural contra contra povos indefesos que vivem em um modo de vida homogênico e harmônico até o momento que o branco quebra esse estado natural de coisas para impor sua cultura.

Em uma exceção digna de ser mencionada, o jornal do SBT, do dia 4 de agosto de 2008 dá algum destaque o ao vídeo que levanta a questão do infanticídio cultural em tribos indígenas brasileiras e a partir da história real da menina Hakani, que chegou a ser enterrada viva por sua tribo e foi resgatada por seu irmão. A história chegou a ser divulgada pela mídia em matéria na revista Veja, que destacou a postura de algumas autoridades, contrárias a intervenções nesta área, alegando que isto fere o direito dos índios de viverem de acordo com sua cultura, fato também mencionado no vídeo.

Produzido por pessoas interessadas em combater essa prática, e envolvidas diretamente na questão do índio, apresenta cenas bastante fortes. Os interessados podem vê-lo em 4 partes no Youtube (Essa é a parte 4, um resumo. Há tb a 1, 2, e 3), ou no site oficial do projeto: http://www.hakani.org/,onde há também outras informações sobre o tema.