Fotofobia

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Fotofobiafotofobia:
sf. (foto+fobia) Intolerância à luz, sintoma próprio de certas afecções nervosas.

A notícia envolve uma estranha ironia: Joilson, um motorista de ônibus encontra quase 75 mil reais e, em lugar de fazer o que muitos fariam, devolve todo o dinheiro ao dono. A ironia é que isso gera entre seus pares incômodo suficiente para que Joilson tenha seu crachá funcional jogado no vaso sanitário por um colega não identificado, além de ver escritas na parede do banheiro as palavras “Chagas otário”.

A verdade é que essa é uma circunstância recorrente. Vivemos num mundo onde a verdade, a decência, a boa-vontade, a honestidade são cada vez menos recompensadas. Anos atrás uma pesquisa constatou que o altruísmo e a generosidade já são considerados sinais de fraqueza. A essa altura, podemos dizer que estas virtudes não apenas deixam de ser recompensadas, mas também causam desconforto e são punidas.

A melhor explicação para isso eu ainda encontro na cosmovisão bíblica. Ali, o homem vive numa desconexão inevitável contra o que ele é e o que gostaria de ser por causa da “Queda”: O homem fez uma escolha contrária a vontade de Deus e como consequência foi destituído de sua condição de plenitude original.

Por conta disso, o homem vive em um descompasso consigo próprio, que o leva em última instância a desistir de ser o que foi designado ser e, em seu interior, deseja ser. Assim, ele procura destruir todo o referencial que coloque o nível moral em um patamar um pouco acima da mediocridade, pois dessa maneira ele evitará algo que o faça se sentir inferior.

Senão vejamos, o que interessaria para os colegas do cidadão, ou que diferença faria que ele devolvesse o dinheiro ou não? Alguém ali ficaria mais rico ou mais pobre? Com certeza não financeiramente, mas, moralmente, alguém se viu falido por lá.

Um rabino do primeiro século disse certa vez que “aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas”. Esse é o fenômeno da fotofobia aplicada à nossa sociedade global contemporânea. A obscuridade torna tudo difuso e nebuloso, trazendo ambiguidade e incerteza. A clareza e a transparência das coisas incomoda, porque com elas é possível o confronto, a comparação, a aferição com as quais se revela a verdade oculta no interior de cada um, onde os valores de cada um são mensurados sem possibilidade de adulteração.

Por isso mesmo atitudes como a de Joilson provocam tamanha reação em contrário. Elas trazem luz e obrigam a uma reflexão que nem todos estão dispostos a fazer.


“Hora da Terra”

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bulbo terrrestreNão. Na assim chamada Hora da Terra 2009, não apaguei luz nenhuma, a não ser aquelas que normalmente procuro apagar sempre que seu uso é desnecessário.

Não boicotei a campanha internacional para deixar as luzes de casa apagadas por uma hora por torcer “contra a Terra”, nem porque gosto de usar eletricidade à toa. Boicotei porque sou, por princípio, contra esse tipo de marketing social de manada, turbinado pela mídia e sabe-e lá por mais o quê,  que gera nas pessoas a necessidade de assumir, em grupo, certos comportamentos por constrangimento, mas que na prática não gera mudança individual nenhuma. A mudança individual, consciente e voluntária é a única capaz de influenciar a sociedade de forma efetiva e duradoura. É o que eu penso.
Não tenho dúvida que muita gente apagou a luz, mas continuou tranquilamente vendo sua novelinha, usando seu computador e relaxando em suas hidromassagens sem se dar conta da contradição.

Depois de uma horinha de luz apagada, todos saem de consciência tranquila, por terem “ajudado” o planeta, por terem sido a parte brasileira de uma “iniciativa mundial”, e bola pra frente no seu conforto consumista.

E, como subproduto desse tipo de campanha, temos ainda que conviver com a inevitável e patética militância em favor da ‘causa’, que sempre acaba surgindo para caçar os “alienados”.


Luz sobre a Terra

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Luz sobre a Terra

Luz sobre a Terra