Os valores e as escolhas

| Em Comportamento, Sociedade


Joubert de O. Sobrinho
Publicado no “Em Família 23″

Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência – Deuteronômio 30:19

Manchete do New York Post

Não consegui evitar um certo azedume nas entranhas após ler no jornal o artigo que comentava a escolha do fotógrafo profissional R. Umar Abassi. Ele preferiu gastar duas dezenas de segundos para fotografar um homem prestes a morrer nos trilhos do metrô de Nova York, ao invés de correr para tentar salvar sua vida. Foi uma escolha. Pior ainda: ele saiu da estação rapidamente para vender sua foto exclusiva ao jornal New York Post que, por sua vez, não fez por menos: publicou-a no dia seguinte na primeira página com o texto:

“Empurrado da plataforma do metro, este homem vai morrer”
“Condenado”

O fotógrafo informou às autoridades que usou o flash para alertar o condutor do vagão da presença do homem nos trilhos. Desde quando um flash em frente aos olhos facilita a visão? Alegar que o Código de Ética dos fotógrafos foi a razão do mesmo não ter agido em favor da salvação do coreano é bobagem. O código solicita que o fotografo evite interferir, influenciar ou alterar acontecimentos. Mas que acontecimentos? Mesmo quando a vida humana está em jogo? Por causa deste código muitos fotógrafos se esconderam por detrás das câmeras lavando as mãos feito Pilatos, enquanto poderiam tomar atitudes mais benignas. A mensagem que ele deixou foi clara: mais valem os milhares de dólares, a projeção de meu nome, um possível prêmio, que a vida de um cidadão qualquer. Ele escolheu a morte.

O valor da vida
Alegar esta regra antiética do código, contraria os princípios norteadores e responsáveis pela existência dos salva-vidas, dos bombeiros, dos policiais, dos médicos socorristas e agentes de saúde cuja prioridade é salvar vidas. Mas, o fotógrafo é “neutro”?!? Nem no mundo fantasioso dos quadrinhos há dúvida. Peter Parker, o Homem-Aranha, é fotógrafo, mas (analisando a natureza das histórias até aqui) seus sentidos-aranha indicam que mais vale salvar uma vida que fotografar sua morte!

O que está em jogo numa decisão como esta são os valores. Definindo com simplicidade, quando reconhecemos um valor nas coisas, inclinamo-nos a ter uma atitude favorável para com elas que se reflete nos nossos atos e escolhas. Se não valorizamos a vida nossas escolhas não darão prioridade a ela. O fotógrafo declaradamente agiu valorizando seu trabalho, sua profissão, seu ganho, ou seja lá o que for, mas não priorizou salvar a vida.
Expor a vida para salvar vidas

Em contrapartida, apresento-lhes uma grande heroína polonesa da Segunda Guerra Mundial que salvou 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia, falecida em 2008. Em março de 2007 a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz (ano em que escolheram Al Gore). No entanto, o memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em 1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não-judeus que salvaram judeus.

Irena Sandler

Irena Sandler nunca se considerou uma heroína.

“Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco”, declarou.
Por valorizar a vida, Irena Sendler foi presa em sua casa em 20 de outubro de 1943. Durante o período em que ficou detida no quartel-general de Gestapo, foi torturada pelos nazistas que quebraram seus pés e pernas. Ainda assim, ela não deu informações. Logo depois, foi condenada à morte, mas milagrosamente foi salva quando a conduziam à execução por um oficial alemão que a resistência polonesa conseguiu corromper.
Sendler continuou sua luta clandestina sob uma nova identidade até o final da guerra, trabalhando como supervisora de orfanatos e asilos em seu país. Quanto aos valores deixarei que essa mulher que optou escolher pela vida, pela bênção, Irena Sendler, mencione as breves e suficientes palavras que o fotógrafo, bem como a multidão de pessoas que pensam como ele, deveriam atentar para entender onde está a raiz do problema:

“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade”


Homofobia. Doença, crime ou política?

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censuraHomofobia é uma palavra interessante. Seu significado deriva do grego e está relacionado a doenças em que se desenvolve algum tipo de medo irracional, aversão ou rejeição doentia contra algo: acrofobia, para o medo de altura; hidrofobia, para o medo de água; claustrofobia para o medo de lugares fechados, dentre outros em uma longa lista. Em regra, um portador de uma “fobia” reage fugindo e evitando o objeto de seu medo.

Em algum dado momento o termo passou a ser associado a atos de repulsa violenta e brutalidade contra homossexuais, o contrário do que deve se esperar de alguém com “medo”, a propósito. Mas, por conta disto, hoje a discussão em pauta gira em torno da “criminalização da homofobia”.

Antes de mais nada, a sociedade deveria chegar a uma conclusão sobre se homofobia é uma doença, como sugere a terminologia em sua origem ou se é algo imputável como crime. Não é possível ser as duas coisas.
Como alguém poderia ser incriminado por uma doença? E mais, se alguém disser que “nasceu assim”, estaria justificado em seu comportamento?

Na verdade, para se manter a discussão em torno da tal criminalização da homofobia é necessário que o significado do termo seja aquele se distancie do conceito patológico e que valorize seu teor ideológico, agregando conceitos ao seu significado, uma vez que crimes de ódio, simplesmente, já são tipificados como tal e não precisariam de novas leis para isso.

Entretanto, ao contrário de uma definição mais clara e objetiva do que deveria designar o termo homofobia, o que a sociedade tem sido obrigada a encarar é uma sistemática remodelagem do termo para que este assuma um significado ainda mais abrangente, com bordas cada vez mais difusas, a ponto de até a liberdade de opinião, a subjetividade do pensamento e do desconforto causado por qualquer estranhamento comportamental se tornarem sujeitos ao rótulo de “homofóbicos”. Em outras palavras, em um contexto suficientemente amplo e vago, mesmo um simples texto como este, criticando a ambiguidade do termo homofobia e seu uso político, corre o risco de ser acusado de “homofóbico”.

Trata-se, portanto, de um expediente bastante compreensível do ponto-de-vista ideológico. Quanto mais elástico for o espectro do seu significado, mais fácil será enfiar dentro do estigma de “homofóbico” aquilo que for em dado momento conveniente discriminar, intimidar ou, num futuro, quem sabe, incriminar.


Ilusão de ótica

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Incrível como certas coisas insistem em nos iludir, mesmo sabendo que não são aquilo que estamos vendo!

xadrez ilusão de ótica

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