Samaritanos e ateus

| Em Comportamento, Cristianismo, Sociedade


Doré Bom SamaritanoÉ recorrente entre não poucos ateus a necessidade de provar que não precisam da religião para serem pessoas boas, éticas e preocupadas com o bem comum. Há, por um lado, um interesse em esvaziar a religião de qualquer importância prática, mas ao mesmo tempo, talvez tentem de algum modo combater um suposto estereótipo do ateu cruel e sem compaixão, que no meu entender reside muito mais no imaginário ateísta do que na realidade do dia-a-dia.

Nesta linha, vejo uma interessante matéria mostrando o envolvimento de alguns ateus e atividades de ação social, com entrevistas a alguns deles e, dentre vários comentários, um deles me chama atenção. Uma das entrevistadas comenta que, apesar de atéia, de vez em quando deixa até escapar um “…graças a deus”, para ilustrar o quanto é difícil ser ateu em uma cultura cristã.

De fato, viver numa cultura cristã sem ser influenciado por ela, não é nada fácil, basta ver a citação bíblica que abre a citada matéria, remetendo à conhecida parábola contada por Jesus, sobre o “Bom Samaritano” (Lucas, cap. 10).

Mas, aí fica a pergunta: até que ponto a solidariedade tb não é cultural? E se for, quanto a cultura cristã, a cultura religiosa, a cosmovisão teísta impregnada nesta cultura, afeta ou estimula o interesse pelo outro? Por outro lado, se não for, ela vem de onde? Se alguém disser que vem da genética, como impõe a visão de mundo naturalista, não há mérito nenhum nela. Afinal de contas, seria algo tão dotado de moralidade quanto o medo instintivo, a fome ou sede, ou qualquer necessidade fisiológica.

Ninguém duvida que um ateu possa ser comovido pelo drama alheio. Eu não tenho dúvida é algo que mexe com todos os ateus, caso contrário, eles seriam meros hipócritas ao questionar a existência de Deus em face da realidade do mal no mundo. Mas seria interessante avaliar o quesito solidariedade numa civilização absolutamente ateísta, sem nenhum resquício religioso em suas origens e fundamentos. Seria interessante descobrir o quanto a cosmovisão ateísta é capaz de justificar e explicar pelas suas próprias pernas essa peculiaridade do bicho homem.

Pena que não exista nenhuma cultura absolutamente ateísta para que possamos conferir…


Craig X Ateus

| Em Ciências, Crônica


William Lane Craig

Um interessante perfil do apologista cristão William Lane Craig, traçado pelo site ateísta ‘Common Sense Atheism’, bem como uma análise de seu desempenho em debates com ateus.

“William Lane Craig é um prolífico filósofo cristão, apologista, autor e público debatedor. Ele é o melhor debatedor – sobre qualquer tema – que eu já ouvi. Tanto quanto eu posso dizer, ele ganhou quase todos os seus debates.”

O conteúdo completo pode ser lido aqui (em inglês): Common Sense Atheism


Deus seja louvado

| Em Comportamento, Cristianismo, Sociedade


Deus seja louvadoO Ministério Público pretende dar fim na expressão “Deus seja louvado” que aparece nas notas de Real. Sinceramente, desde que foi implementada a frase “Deus seja louvado” nas notas do nosso dinheiro, se eu reparei nela mais do que umas três vezes em todos esses anos, foi muito.

Como teísta e cristão que sou, particularmente vejo o dinheiro um objeto sujo demais para ostentar o nome de Deus e não ficaria nem um pouco incomodado se fosse retirado de lá. A lógica da economia mundial, simbolizada pelo dinheiro, reside em bases em grande parte — para não dizer totalmente — incompatíveis com o modo de vida proposto pela fé cristã. Tanto é que Jesus certa vez disse que “não poderíamos servir a Deus e às riquezas”. E não falo aqui em condenação à prosperidade ou apologia à pobreza, mas de princípios, critérios, prioridades, maneiras de ser relacionar e até ver a vida. Uma outra hora eu me estendo mais no assunto.

Nem por isso, eu deveria deixar de observar a inconsistência da argumentação dos que pleiteiam a retirada da expressão. O “Deus seja louvado” das notas, como já foi exaustivamente discutido, pode ser considerado um conceito genérico. Cada pessoa pode enquadrar ali a divindade que preferir, até mesmo o deus-dinheiro, que é o único que muita gente reverencia. Sendo assim, até mesmo boa parte dos ateus poderia sentir-se representada. Há de fato muito pouca gente que viva integralmente como a desconsiderar em seu dia-a-dia a existência de algum deus e, estas pessoas, desconfio, são justamente as últimas a se importar com a tal citação no dinheiro.

O que nos leva para o segundo ponto. A questão da intolerância. Intolerância de quem, exatamente? Se a maioria admite algum tipo de divindade e se boa parte dos que assim não procedem está pouco ligando para o que diz no dinheiro, só nos resta um grupo muito limitado, mas muito engajado e barulhento, de pessoas que desejam nos convencer de que o mundo será mais tolerante caso a intolerância deles seja acatada em detrimento do pensamento da maioria.

Sim, porque tolerância pode ser qualquer coisa, menos o que esta iniciativa propõe. Se uma pessoa perde o sono porque um deus que ela nem mesmo crê está sendo citado no dinheiro de seu país, então ou ela não descrê tanto assim como gostaria, ou simplesmente está demonstrando como é quando alguém não aceita uma opinião divergente da sua, ou seja, intolerância.

Até porque, hoje em dia quase todo mundo só usa cartão…

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Atualizado em 30/11/2012: Por enquanto a expressão Deus seja Louvado continuará nas notas, conforme decisão da juíza federal Diana Brunstein)