Três homens

Três Homens

A morte criminosa de 3 trabalhadores, em pleno exercício de sua função, expõe a enfermidade de uma sociedade profundamente doente e deveria ser motivo de comoção nacional por muito tempo, até a solução do caso, até o fim de casos como esses, seja lá qual fosse a causa. Ainda mais quando cometidas por conta da “invasão” do território do crime organizado e a falta de pagamento do “pedágio” exigido pelos criminosos em troca das vidas.
Ao contrário disso, não houve nenhuma manifestação de condolências, muito menos de indignação do presidente da república, ou do ministro da justiça, ou de alguma das autoridades que habitualmente dão sua opinião sobre tudo no país. Nenhuma celebridade baiana apareceu indignada com o crime ocorrido em sua terra. Nada.
Ninguém falou das armas nas mãos dos criminosos, ninguém falou da ocupação de território pelo crime organizado, ninguém lembrou que é o povo mais pobre que mais sofre com o avanço da criminalidade, ninguém comentou da cor da pele dos trabalhadores mortos.
Tudo normal, enquanto o governador do estado, aliado de Luiz Ignácio, recitava a fala protocolar sobre segurança pública e a pouca divulgação que houve pela mídia no momento, rapidamente se diluía no meio de outros tantos absurdos ou trivialidades que roubam a atenção desse nosso povo…

Hamilton Furtado

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