Amizade

Já postei esse texto de C. S. Lewis em vários lugares diferentes, em ocasiões diferentes. E a cada vez que faço isto, ele me dá um enfoque novo.

Os Quatro Amores - C. S. Lewis

Lamb diz em algum lugar que se dentre três amigos (A, B e C), A morresse, então B não perde só A mas também a “parte de A em C”, enquanto C perde não A mas a “parte de A em B”. Em cada um de meus amigos existe algo que somente um outro amigo pode trazer plenamente à tona. Por mim mesmo não sou grande o bastante para fazer com que o homem total entre em atividade. Quero outras luzes além da minha para mostrar todas as suas facetas. Agora que Charles morreu, jamais verei a reação de Ronald a uma brincadeira especial de Carolyn. Longe de ter mais de Ronald, de tê-lo ‘para mim mesmo’ agora que Charles se ausentou, tenho menos de Ronald. Assim sendo, a verdadeira amizade é o menos ciumento dos amores.

Dois amigos ficam contentes quando chega um terceiro e três quando o quarto se reúne a eles, basta que o recém-chegado tenha as necessárias qualificações para tornar-se um verdadeiro amigo. Eles podem dizer, como as almas abençoadas dizem em Dante: “Está chegando alguém que vai ampliar nosso amor”. Pois nesse tipo de amor “dividir não é remover”. A escassez de almas afins (para não mencionar as considerações práticas sobre o tamanho dos aposentos e a audibilidade das vozes) naturalmente estabelece limites para a ampliação do círculo; mas dentro desses limites possuímos cada amigo mais e não menos, à medida que aumenta o número daqueles com quem o partilhamos.

A Amizade manifesta nisto uma gloriosa “proximidade por semelhança” ao próprio céu onde a multidão dos benditos (que homem algum pode contar) aumenta a fruição que cada um tem de Deus. Pois cada alma, vendo-O à sua maneira, sem dúvida comunica a todos os restantes essa visão singular. Essa a razão, conforme um velho autor, por que os serafins na visão de Isaías clamam: “Santo, Santo, Santo” uns para os outros (Isaías 6:3). Quanto mais dividirmos o Pão Celestial entre nós, tanto mais teremos.

C. S. Lewis – Os Quatro Amores, pg. 50
Ed. Mundo Cristão, SP – 1983


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